"Bom mesmo é ir a luta com determinação, abraçar a vida com paixão, perder com classe e vencer com ousadia. Pois o triunfo pertence a quem se atreve... a vida é 'muito', para ser insignificante". Charles Chaplin.



quinta-feira, 2 de agosto de 2018

SINTE/SC: Volta às aulas em SC é marcada por ataques à educação

A volta àss aulas, na rede estadual de ensino, após o recesso escolar, está ocorrendo com diversos ataques aos trabalhadores em educação, com o anúncio da SED que a meta para o início do segundo semestre é de demitir 2.000 ACT’s, segundo declaração feita por Avani Fernandes – Diretora de Gestão de Pessoal da SED, em web conferência, no início desta semana. Também, fomos surpreendidos com a afirmação sobre o fechamento de turmas do PENOA - Programa Estadual Novas Oportunidades de Aprendizagem -, que foi difundido pela Secretaria como uma grande oportunidade para os alunos com dificuldade de aprendizagem terem um reforço dos seus estudos no contraturno.
Está claro o porquê da não abertura de turmas na educação catarinense, ou, ainda, o processo de reenturmação: servem única e exclusivamente para aumentar o número de alunos em sala e diminuir o número de professores, colocando em jogo a qualidade da educação, o bom andamento das atividades escolares e a vida funcional dos professores.
No ano de 2018, já tivemos o anúncio de que os CEDUPs não poderiam abrir novas turmas, no segundo semestre, e que assessores de direção seriam exonerados, ocasionando em demissões de ACTs. Ainda que com a luta do SINTE/SC, em conjunto com os professores, tais decisões tenham sido revistas, a Secretária Simone Schramm não está cumprindo com a palavra dada, e não tem permitido que diversas turmas sejam abertas, e recebemos denúncias de demissões de ACTs, por conta das exonerações. 
Nesse sentido, o SINTE/SC enviou ofício à SED, exigindo audiência com a Secretária, para que ela explique os ataques, nesse segundo semestre, e dê respostas ao magistério e à sociedade catarinense sobre os retrocessos promovidos pelo governo.
O SINTE/SC convoca a categoria à resistência, para que cobre das GEREDs e autoridades políticas, providências, no sentido de impedir os ataques que estamos sofrendo. Somente com a luta, conseguiremos acabar, de uma vez por todas, com os desmandos da Secretaria de Estado da Educação.

A Secretaria de Estado da Educação, através da Diretora de Gestão de Pessoal, Avani Fernandes, anunciou, por web conferência, o corte de 2 mil ACTs:

Jornal Mural da CNTE: Diga não à BNCC do ensino médio e pela revogação da Lei 13.415

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) continua a luta contra a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), instrumento criado para operacionalizar a Reforma do Ensino Médio, aprovada por um governo sem legitimidade e que negou a oportunidade de debate ao encaminhar as mudanças ao Congresso na forma da Medida Provisória 746/2016. Leia, abaixo, o jornal mural, e não se deixe enganar por mais esse golpe contra a educação pública!

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Entrevista com a professora Maria Raquel Caetano, do Instituto Federal do Rio Grande do Sul, que fala sobre BNCC:

Inscrições para Curso de Formação do SINTE/SC encerram no próximo dia 10

Até o próximo dia 10 de agosto, estão abertas as inscrições para o Curso de Formação Política e Sindical do SINTE/CNTE para os trabalhadores em educação que tiverem interesse. Esse ano, o curso será realizado em parceria com a Universidade Federal da Fronteira Sul – UFFS -, que fornecerá a certificação.
As inscrições são feitas diretamente nas Regionais do SINTE/SC, através do preenchimento de ficha. Faça contato com a sua Regional, e informe-se.

Conheça o programa do Curso:

Secretário de Assuntos Educacionais e Culturais do SINTE/SC, Luiz Carlos Vieira, chama categoria para o debate sobre a BNCC:

SINTE/SC: Orientações e Informações sobre Debate "Dia D" da BNCC

Companheiras(os)

Em razão da convocação pelo MEC e CONSED do "Dia D" para debate nas escolas sobre a Base Nacional Comum Curricular do Ensino Médio, previsto para 2 de agosto, juntamente com a CNTE orientamos os Trabalhadores em Educação a promoverem mobilização e denúncia da BNCC, aproveitando o momento para debater as reais consequências da Reforma do Ensino Médio.
Além do livro da CNTE sobre "BNCC e Reforma do Ensino Médio", lançado em maio último na CONAPE, em Belo Horizonte, encaminhamos em anexo textos e materiais voltados para o debate no "Dia D", ou antes de 02 de agosto, caso Coordenação Regional ou as escolas optem por realizar este debate em outra data.
Além disso, disponibilizamos um modelo de CARTA ESCOLAR para que no dia 02 de agosto cada uma das escolas de ensino médio registre sua indignação com a Reforma e a BNCC. A carta também pede a REVOGAÇÃO da Lei 13.415 e a REJEIÇÃO da BNCC por parte do Conselho Nacional de Educação.
Nossa mobilização, neste momento, é decisiva para desmascarar a intenção do MEC de viabilizar mais um golpe midiático para aprovar a BNCC no Conselho Nacional de Educação.

DIRETORIA EXECUTIVA

Informe-se e informe sobre a Base Nacional Comum Curricular:

Reforma do Ensino Médio é retrocesso para a educação

(artigo: Gaudêncio Frigotto)

A reforma de ensino médio proposta pelo bloco de poder que tomou o Estado brasileiro por um processo golpista, jurídico, parlamentar e midiático, liquida a dura conquista do ensino médio como educação básica universal para a grande maioria de jovens e adultos, cerca de 85% dos que frequentam a escola pública. Uma agressão frontal à constituição de 1988 e a Lei de Diretrizes da Educação Nacional que garantem a universalidade do ensino médio como etapa final de educação básica.
Os proponentes da reforma, especialistas analfabetos sociais e doutores em prepotência, autoritarismo e segregação social, são por sua estreiteza de pensamento e por condição de classe, incapazes de entender o que significa educação básica. E o que é pior, se entende não a querem para todos.
Com efeito, por rezarem e serem co-autores da cartilha dos intelectuais do Banco Mundial, Organização Mundial do Comércio, etc., seus compromissos não são com direito universal à educação básica, pois a consideram um serviço que tem que se ajustar às demandas do mercado. Este, uma espécie de um deus que define quem merece ser por ele considerado num tempo histórico de desemprego estrutural. O ajuste ou a austeridade que se aplica à classe trabalhadora brasileira, da cidade e do campo, pelas reformas da previdência, reforma trabalhista e congelamento por vinte anos na ampliação do investimento na educação e saúde públicas, tem que chegar à escola pública, espaço onde seus filhos estudam.
A reforma do ensino médio que se quer impor por Medida Provisória segue figurino da década de 1990 quando MEC era dirigido por Paulo Renato de Souza no Governo Fernando Henrique Cardoso. Não por acaso Maria Helena Guimarães é a que de fato toca o barco do MEC. Também não por acaso que o espaço da mídia empresarial golpista é dado a figuras desta década.
Uma reforma que retrocede ao obscurantismo de autores como Desttut de Tracy que defendia, ao final do século XIX, ser da própria natureza e, portanto, independente da vontade dos homens, a existência de uma escola rica em conhecimento, cultura, etc., para os que tinham tempo de estudar e se destinavam a dirigir no futuro e outra escola rápida, pragmática, para os que não tinham muito tempo para ficar na escola e se destinavam (por natureza) ao duro ofício do trabalho.
Neste sentido é uma reforma que anula Lei Nº. 1.821 de 12 de março de 1953. Que dispõe sobre o regime de equivalência dos cursos de grau médio para efeito de matrícula nos curso superiores e cria novamente, com outra nomenclatura, o direcionamento compulsório à universidade. Um direcionamento que camufla o fato de que para a maioria da classe trabalhadora seu destino são as carreiras de menor prestigio social e de valor econômico.
Também retrocede e torna, e de forma pior, a reforma do ensino médio da ditadura civil militar que postulava a profissionalização compulsória do ensino profissional neste nível de ensino. Piora porque aquela reforma visava a todos e esta só visa os filhos da classe trabalhadora que estudam na escola pública. Uma reforma que legaliza o apartheid social na educação no Brasil.
O argumento de que há excesso de disciplinas esconde o que querem tirar do currículo – filosofia, sociologia e diminuir a carga de história, geografia, etc. E o medíocre e fetichista argumento que hoje o aluno é digital e não agüenta uma escola conteudista mascara o que realmente o aluno desta, uma escola degradada em seus espaços, sem laboratórios, sem auditórios de arte e cultura, sem espaços de esporte e lazer e com professores esfacelados em seus tempos trabalhando em duas ou três escolas em três turnos para comporem um salário que não lhes permite ter satisfeitas as suas necessidades básicas. Um professorado que de forma crescente adoece. Os alunos do Movimento Ocupa Escolas não pediram mais aparelhos digitais, estes eles têm nos seus cotidianos. Pediram justamente condições dignas para estudar e sentir-se bem no espaço escolar.
Por fim, uma traição aos alunos filhos dos trabalhadores, ao achar que deixando que eles escolham parte do currículo vai ajuda-los na vida. Um abominável descompromisso geracional e um cinismo covarde, pois seus filhos e netos estudam nas escolas onde, na acepção de Desttut de Tracy estudam os que estão destinados a dirigir a sociedade. Um reforma que legaliza a existência de uma escola diferença para cada classe social. Justo estes intelectuais que em seus escritos negam a existência das classes sociais.
Quando se junta prepotência do autoritarismo, arrogância, obscurantismo e desprezo aos direitos da educação básica plena e igual para todos os jovens, o seu futuro terá como horizonte a insegurança e a vida em suspenso.

* Filósofo e Educador. Professor do Programa de Pós Graduação em Políticas Públicas e Formação Humana da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)