"Bom mesmo é ir a luta com determinação, abraçar a vida com paixão, perder com classe e vencer com ousadia. Pois o triunfo pertence a quem se atreve... a vida é 'muito', para ser insignificante". Charles Chaplin.



terça-feira, 4 de julho de 2017

Seminário debate amanhã sobre os 3 anos do PNE

Organizado pela Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, será realizado amanhã, em Brasília, o Seminário Nacional 3 Anos do Plano Nacional de Educação – PNE. O evento atende requerimento do deputado federal Pedro Uczai.
O Seminário contará com a seguinte programação:
9h - Mesa de Abertura:
- Mendonça Filho - Ministro de Estado da Educação
- Deputado Caio Narcio - Presidente da Comissão de Educação
- Deputado Pedro Uczai - Presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Implementação do PNE
- Deputado Alex Canziani - Presidente da Frente Parlamentar da Educação
- Senadora Lúcia Vânia - Presidente da Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal
10h - Mesa I - O PNE e o Sistema Nacional de Educação
- Heleno Araújo Filho - Fórum Nacional Popular de Educação - FNPE
- Márcia Ângela da Silva Aguiar - Conselho Nacional de Educação - CNE
- Daniel Cara - Coordenador-Geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação
- Antônio Eugênio Cunha - Presidente da Federação Nacional das Escolas Particulares - FENEP
11h30 - 12h - Debates
12h - Intervalo para almoço. O Seminário será reaberto às 13h.

Não há um único avanço na Reforma Trabalhista, aponta Cesit

Dossiê do Centro de Estudos Sindicais e de Economia elege acordos individuais e negociado sobre legislado como principais vilões da proposta de Temer

(Texto: Luiz Carvalho -  Foto: Roberto Parizotti/CUT)

O Centro de Estudos Sindicais e de Economia da Unicamp (Cesit) lançou, nessa segunda-feira (3), um dossiê em que avalia a proposta de reforma Trabalhista do ilegítimo Michel Temer (PMDB). Segundo o documento, a Projeto de Lei da Câmara (PLC 38/2017) prestes a ser votado no Senado não traz um único ponto que beneficie o trabalhador. O documento do Cesit destaca que a proposta responsável por revisar mais de uma centena de itens da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) é um apanhado de diversas reivindicações patronais.
Tanto no Projeto de Lei 6.787/2016, que saiu da Câmara, quanto no PLC 38 há resquícios de plataformas da CNI (Confederação Nacional da Indústria), como “101 Propostas para Modernização Trabalhista”, “Agenda Legislativa da Indústria” e “Caminhos da Modernização Trabalhista”. Além de reivindicações da CNA (Confederação Nacional da Indústria), em especial a “Proposta da Bancada de Empregadores” e o “Balanço 2016 e Perspectivas 2017”.
As formulações presentes nas agendas foram em boa parte incorporadas pelo programa lançado pelo PMDB, em 2015, “Uma Ponte para o Futuro”.
O dossiê faz ainda uma avaliação do projeto em relação às formas de contratação mais precárias e atípicas, à flexibilização da jornada de trabalho, ao rebaixamento da remuneração, à alteração das normas de saúde e segurança do trabalho, à fragilização sindical e mudanças na negociação coletiva e à limitação do acesso à Justiça do Trabalho e do poder dessa instância.

Em entrevista ao Portal da CUT, a economista e pesquisadora do Cesit Marilane Teixeira, uma das responsáveis pela sistematização do conteúdo, indica quais os prejuízos que o trabalhador terá com a aprovação dessa proposta.

A reforma Trabalhista vai diminuir o desemprego?
Marilane Teixeira – Não há nenhuma possibilidade de a reforma trabalhista diminuir o desemprego. O que vai fazer é promover uma substituição dos trabalhadores efetivos por terceirizados, por contratos temporários, intermitentes e parciais, algo que já começa a acontecer. Nenhum aspecto da reforma trabalhista sugere o estímulo à criação de novos postos de trabalho.

Empresas, sindicatos e organizações patronais dizem que a legislação trabalhista seria extremamente rígida e que isso diminuiria a possibilidade de criação de emprego. Isso é verdade?
Marilane – Estudos da OIT (Organização Internacional do Trabalho), de 2015 e 2016, que analisaram mais de 60 países em 10 anos, e 11 países em seis anos, respectivamente, mostram que não há significação estatística que relacione a rigidez na legislação com a queda no nível de emprego.
Ao contrário, nos períodos em que houve flexibilização, o desemprego também aumentou e onde a regulação do trabalho se intensificou, há melhoras no nível de empregabilidade.

O custo da contratação pode ser um argumento para não geração de emprego?
Marilane – Claro que não! No caso do Brasil, a dispensa e contratação é um mecanismo usado amplamente pelas empresas. O que a reforma Trabalhista propicia é uma dispensa a custos menores.
Em 2016, no país, o mercado de trabalho movimentou 30 milhões de pessoas. Foram demitidas 16,5 milhões e admitidas 15 milhões. Por que a rotatividade é tão alta? Porque usam o mecanismo da dispensa imotivada para regular salários. Demitem e contratam com rendimento que pode oscilar de 20% a 35% menores do novo funcionário em relação ao que foi demitido.
Se alegam que o custo com demissão é elevado, por que dispensam nesse volume? Não é esse o problema e manter um certo grau de proteção ao trabalhador demitido por meio do acesso ao FGTS e ao seguro-desemprego é uma garantia mínima para quem provavelmente vai enfrentar logo período de desemprego.
O rendimento médio de um trabalhador hoje no Brasil é menor do que em 2012, imagina com a inflação acumulada nesses quase cinco anos. Só há perspectiva de empobrecimento e de ampliação das desigualdades entre trabalhadores, algo que só beneficia as empresas.

Mas o que dizer para quem defende que o importante é gerar emprego, independente da qualidade do emprego?
Marilane – O problema é o modelo que vai gerar. Pegue o trabalho intermitente, um dos pontos da reforma. O trabalhador pode ser convocado uma vez na semana ou nenhuma para trabalhar oito, seis, quatro horas ou menos e não haverá nenhuma segurança sobre rendimento médio. Não terá nem ideia de quanto vai ter em termos de salário. Não há nenhuma previsibilidade em relação à remuneração nesse período. Você tem gasto com moradia, transporte, precisa se alimentar, mas não tem previsão de quanto vai receber, porque pode passar semanas sem ser convocado pela empresa.
O contrato parcial também é uma forma de ajustar para baixo os salários, porque vai receber proporcionalmente em relação a horas trabalhadas. O mesmo caso o contrato temporário, que dura um período e em caso de dispensa o trabalhador não terá acesso ao Fundo de Garantia, ao aviso prévio e ao seguro-desemprego. Se a mulher engravidar nesse período, ao final do contrato não terá qualquer estabilidade e dificilmente vai encontrar outro trabalho imediatamente.
Um emprego tão precário e que gera um nível de insegurança tão grande provoca adoecimento e entrega um serviço ruim. Porque cada dia o trabalhador estará em um lugar prestando serviço e não será especializado em nada. Num dia prestará serviço num hospital, no outro na escola, no outro em um restaurante. Quem irá se responsabilizar pelo acidente de trabalho no local ou no transporte até o local? O empregador não terá compromisso nenhum.
Não vai ter uma categoria profissional, não será bancário, comercial ou industriário. Vai ser prestador de serviço. Acaba com identidade de classe, com a categoria, e com a relação com o sindicato. Não vai ter a quem recorrer em caso de ilegalidade.
As universidades e escolas privadas já estão substituindo agentes administrativos por terceirizados. Os agentes têm piso salarial mais elevado e vários direitos, entre eles, poder realizar um curso superior ou frequentar a escolar gratuitamente, inclusive, entendendo para os filhos. Eles estão sendo demitidos e recontratados como prestadores de serviço com piso salarial muito inferior e uma convenção coletiva muito pior. No setor aeroviário, estão introduzindo no check-in o contrato parcial e lá concentram no horário das 6h às 9h e das 17h às 20h. O trabalhador só recebe o que trabalhou nesse período. No intervalo não tem condições de ter outro trabalho, tem de ficar disponível para empresa e só recebe por seis horas. E quando o aeroporto está longe do centro, sequer consegue se deslocar para casa.

A fragilização dos sindicatos é outro ponto crítico, segundo o dossiê. Como isso afeta o trabalhador?
Marilane – O projeto tem o objetivo de pulverizar a ação sindical e descentralizar os processos de negociação coletiva com a criação do representante no local de trabalho. Embora tenham dito que esse representante não terá poder de negociação, sabemos que poderá chegar a esse fim, porque a reforma Trabalhista estimula as negociações individuais em relação a vários aspectos das condições de trabalho.
Retira também o papel do sindicato de acompanhante nas homologações, momento em que há justamente o maior volume de fraudes trabalhistas pelas empresas. E como o projeto dificulta muito o acesso do trabalhador à Justiça do Trabalhado, ele ficará com poucos instrumentos para defender seus direitos. Além de o trabalhador ser obrigado a assinar um documento, no final do ano, concordando que recebeu seus direitos, sem acompanhamento do sindicato na quitação.
Isso tudo lembrando que o projeto prevê que a negociação possa prevalecer sobre a legislação, mesmo que seja prejudicial ao trabalhador. Diante da pressão do empregador, em épocas de crise, claro que o trabalhador cederá à pressão e aceitará, inclusive, negociar ampliação da jornada e redução de salário.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Fim da carteira assinada pode ser votado nesta quarta-feira (5)

Momento é de pressionar senadores para que não aprovem a Reforma Trabalhista; consulta no Senado quer saber opinião da população sobre o tema

(Texto: CUT Nacional)

A definição sobre a Reforma Trabalhista (Projeto de Lei da Câmara (PLC) 38/2017) pode acontecer ainda nesta semana. A proposta do governo ilegítimo Michel Temer (PMDB) terá o regime de urgência votado nesta semana e, após isso, pode já ir para o plenário da Casa.
Caso seja aprovada, bastará a sanção do presidente para implementar um projeto que, na prática, acaba com a carteira assinada ao permitir a ampliação da duração do contrato de trabalho temporário (de 3 meses para 6 meses), do contrato por tempo parcial  (de 25 para 30 horas semanais) e ao permitir negociar 13 direitos fundamentais entre patrões e empregados em termos piores do que prevê a CLT (o chamado negociado sobre o legislado).
Neste momento, toda forma de cobrar os parlamentares para que votem contra o projeto é importante. Para pressionar os senadores com um clique basta acessar o site ‘Na Pressão’.
A plataforma disponibiliza uma lista dos indecisos e dos favoráveis à reforma, além de uma proposta de texto para mostrar a quem você elegeu que não concorda com o fim dos direitos trabalhistas.  
Consulta no Senado – A página do Senado também disponibiliza uma consulta para avaliar o apoio à reforma trabalhista. Até o momento desta publicação, 155.265 votaram contra e 7.583 pessoas se disseram favoráveis ao texto. Vote você também na opção ‘não’ para mostrar aos senadores que aprovar essa medida é trair a classe trabalhadora.

CNTE: Seminário na Câmara dos Deputados debate "Três anos do Plano Nacional de Educação"

O presidente da CNTE, Heleno Araújo, e o secretário de Assuntos Educacionais da CNTE, Gilmar Soares Ferreira, vão participar do seminário “Três Anos do Plano Nacional de Educação”, na Câmara dos Deputados. O evento é uma iniciativa do deputado federal e presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Implementação do Plano Nacional de Educação (PNE) Pedro Uczai, e será realizado no auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados, no dia 5 de julho, das 9h às 17h.
Em 2014, a CNTE publicou uma avaliação sobre o Plano, consulte PNE: Mais futuro para a educação brasileira, número 28 da coleção Cadernos de Educação:

Neste ano, completam três anos de aprovação do PNE. Uma conquista histórica para a educação brasileira, mas, para atingir as metas estabelecidas e a qualidade desejada, é necessário um amplo processo de acompanhamento, debate e monitoramento do Plano.
Diante do desafio da instituição de um Sistema Nacional de Educação e do problema estrutural relacionado ao financiamento da educação, é preciso que o campo educacional se aprofunde nesse debate a partir da perspectiva do Plano Nacional de Educação.

Programação:
9h - Abertura
10h30 - Mesa I – O PNE e o Sistema Nacional de Educação
13h - Mesa II – O Financiamento da Educação e a Emenda Constitucional 95
15h - Mesa III - O PNE e a valorização dos profissionais da Educação

sábado, 1 de julho de 2017

Trabalhadores mostram que golpistas não terão trégua

“Os senadores estão morrendo de medo de vocês”, afirma presidente da CUT para manifestantes.

(Texto: André Accarini e Igor Carvalho - Foto: Roberto Parizotti/CUT)

Na noite desta ontem (30), em São Paulo, um grande ato encerrou a Greve Geral nacional. Cerca de 40 mil pessoas foram à Avenida Paulista pedir o fim da tramitação da Reforma Trabalhista.
O dia foi marcado pela paralisação de diversas categorias, além das mobilizações em todos os estados. Ações como trancamento de avenidas, rodovias e ocupação de espaços públicas foram táticas utilizadas pelas centrais sindicais e movimentos sociais para protestar.
Segundo o presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, os parlamentares estão receosos de apoiar as reformas do governo golpista de Michel Temer, em decorrência da presença constante de manifestantes nas ruas, lutando pela preservação dos seus direitos. O dirigente sindical aproveitou para convocar a militância para acompanhar de perto os próximos passos da tramitação da Reforma Trabalhista.
“Os senadores estão morrendo de medo de vocês. Vocês [manifestantes] são muito fortes. Eles iam votar dia 6 e adiaram, eles estão com medo. Isso está acontecendo porque a gente não deixa esfriar, todo dia tem ato no Brasil. A greve foi forte no Brasil inteiro e mostrou a força da classe trabalhadora”, afirmou.
Ainda de acordo com Freitas, o desafio agora é aumentar a pressão sobre senadores para derrotar definitivamente a Reforma Trabalhista. “Estamos enfrentando um dos maiores golpes dos últimos 20 anos. Estamos resistindo com força, garra e luta. Já convoco aqui, vamos para Brasília no dia da votação.”
O coordenador nacional do MTST, Guilherme Boulos, adotou o mesmo tom do presidente CUTista, reforçando a analise de que se a Reforma Trabalhista não for derrotada, vai mergulhar o Brasil num contexto de conflitos e de profunda insegurança jurídica. “Hoje, o grito da classe trabalhadora ocupou as ruas do país inteiro. Vamos seguir firme contra esse golpe e contra a tomada de nossos direitos, sem dar descanso aos golpistas, nas ruas”, concluiu Boulos.

Seminário vai avaliar três anos do Plano Nacional de Educação

Deputado Federal Pedro Uczai é o presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Implementação do PNE
O PNE estabelece diretrizes, metas e estratégias para a educação brasileira a partir da primeira infância e até a entrada na universidade até 2024

A Câmara dos Deputados promove na quarta-feira (5) seminário sobre os três anos do Plano Nacional de Educação (PNE). O ministro da Educação, Mendonça Filho, é um dos convidados para a abertura do evento.
O PNE estabelece diretrizes, metas e estratégias para a educação brasileira a partir da primeira infância e até a entrada na universidade, por um período de 10 anos. A ideia do seminário é avaliar o que foi feito pelo poder público desde 2014, além de projetar os desafios para os próximos sete anos. As normas estabelecidas pelo plano vão até 2024.
Um levantamento do Observatório do PNE, que reúne dezenas de organizações ligadas à educação, apontou que nos primeiros três anos de vigência do Plano, apenas 20% das metas que deveriam ter sido cumpridas no período foram alcançadas.
O presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Implementação do Plano Nacional de Educação, deputado Pedro Uczai (PT-SC), disse que vai aproveitar a presença de autoridades do Ministério da Educação para questionar a emenda do teto de gastos. "Como é possível atingir, universalizar; expandir a creche, educação fundamental, ensino médio, educação de jovens e adultos; dobrar o número de jovens nas universidades, se a emenda constitucional 95 - que foi aprovada no Congresso - limita os gastos por 20 anos, corrigidos só pelo IPCA, para a área da educação? Essa conta não fecha. Queremos saber como é que vamos atingir as metas do PNE sem dinheiro?"
Ao longo do seminário, serão realizadas três mesas de debates: "O PNE e o Sistema Nacional de Educação", "Financiamento da Educação, 10% do PIB e a Emenda Constitucional 95" e "PNE e a valorização dos profissionais da educação".
O seminário será realizado no auditório Nereu Ramos, a partir das 9 horas. 
Confira a programação:

"SEMINÁRIO NACIONAL 3 ANOS DO PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO - PNE"
(Requerimento nº 253/17 do Dep. Pedro Uczai - PT/SC).

9h - Mesa de Abertura 
- Mendonça Filho - Ministro de Estado da Educação
- Deputado Caio Narcio - Presidente da Comissão de Educação
- Deputado Pedro Uczai - Presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Implementação do PNE
- Deputado Alex Canziani - Presidente da Frente Parlamentar da Educação
- Senadora Lúcia Vânia - Presidente da Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal
10h - Mesa I - O PNE e o Sistema Nacional de Educação
- Heleno Araújo Filho - Fórum Nacional Popular de Educação - FNPE
- Márcia Ângela da Silva Aguiar - Conselho Nacional de Educação - CNE
- Daniel Cara - Coordenador-Geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação
- Antônio Eugênio Cunha - Presidente da Federação Nacional das Escolas Particulares - FENEP
11h30 - 12h - Debates
12h - Intervalo para almoço. O Seminário será reaberto às 13h.

Governo atua na contramão do PNE

O Plano Nacional de Educação 2014-2024 completa seu terceiro ano de vigência e de descumprimento

(Artigo: Daniel Cara e Andressa Pelanda)

O Plano Nacional de Educação 2014-2024 completa seu terceiro ano de vigência e de descumprimento. A sentença é tão crua quanto verdadeira. De forma legítima, para levantar a moral da lei, durante os últimos dias, surgiram alguns esforços de ponderação: há quem diga que o PNE avança aqui e ali, em ritmo excessivamente lento, mas avança. Contudo, o Brasil precisa encarar a realidade: essas ponderações desconsideram o conjunto do texto, o grau de importância de cada um dos dispositivos e o próprio fio lógico do PNE.
Em primeiro lugar, o Plano Nacional de Educação foi organizado como uma agenda progressiva. Isso significa que seus dispositivos estão dispostos em um cronograma de cumprimento, com tarefas distribuídas para cada um dos dez anos. Se uma tarefa agendada para 2015 não for feita, ela prejudica o cumprimento de outra agendada para 2016, que prejudica uma terceira programada para 2017 e assim por diante. Para facilitar o monitoramento do PNE, os consultores legislativos Ana Valeska Amaral Gomes e Paulo Sena produziram uma nota técnica que apresenta, de forma simples e didática, o cronograma do plano.
Segundo essa lógica, o ano de 2016 era chave. Era o prazo máximo para a implementação do Custo Aluno-Qualidade Inicial (CAQi), mecanismo criado pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação, incorporado na lei do PNE na estratégia 20.6, que tem como objetivo garantir que todas as escolas públicas brasileiras tenham, ao menos, um padrão mínimo de qualidade – conheça a proposta do CAQi.
O CAQi seria um dos pilares do Sistema Nacional de Educação (SNE), que também deveria ter sido regulamentado no ano passado. O SNE pode ser resumido como a estrutura administrativa e política para a gestão da educação nacional. Ou seja, ele determina as responsabilidades de cada ente federado (a União – a grosso modo compreendida como Governo Federal –, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios), evitando o que ocorre hoje: cada governo rema para um sentido e o barco da educação não sai do lugar.
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) também deveria ter sido entregue para o Conselho Nacional de Educação em 2016, mas não foi o que ocorreu. E o prejuízo mais sentido pela população em geral: em 2015, deveríamos ter reduzido a população jovem e adulta em situação de analfabetismo absoluto e, no ano passado, universalizado as matrículas para a população de 4 a 17 anos – o que é fundamental para o cumprimento das metas relacionadas a combater as desigualdades em termos de anos de estudo entre os mais ricos e os mais pobres, ampliar o ensino médio e aumentar as matrículas na educação superior.
O PNE representa um enorme avanço legal. É o mais elaborado esforço brasileiro de expandir educação com padrão de qualidade. Ainda que muito aquém do necessário, o Brasil tem sido capaz de criar matrículas na educação pública, porém sem garantir o aprendizado dos estudantes. O Plano Nacional de Educação 2014-2024 pretende acelerar a expansão, efetivando padrões inéditos de qualidade – único caminho prático para a consagração do direito à educação.
Considerando que o PNE é uma lei que promove a justiça social e busca começar o processo de reparação da histórica dívida educacional brasileira, por que ele vem sendo descumprido?
Há dois fatores estruturais: o primeiro é que o PNE não é uma prioridade política. Para dar certo, a educação deveria ser uma verdadeira prioridade de gestão, sendo alvo da ação do Palácio do Planalto, dos governadores e prefeitos, o que vai muito além dos esforços do Ministério da Educação e das secretarias estaduais e municipais de educação.
Em vez de propor políticas e programas que respondam às metas e estratégias do Plano Nacional de Educação, o MEC tem não somente realizado um desmonte das políticas que vinham dando algum resultado, como tem proposto agendas que, muitas vezes, vão inclusive na contramão do PNE.
É o caso do desmonte do programa Brasil Alfabetizado, da revogação da Portaria do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Sinaeb), da aprovação da Reforma do Ensino Médio; da criação do programa Criança Feliz, das idas e vindas de versões da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) – com a retirada dos termos “identidade de gênero” e “orientação sexual” de sua última versão – e da publicação da minuta do novo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), desconsiderando que a BNCC ainda não tem versão final, a ser aprovada pelo Conselho Nacional de Educação (CNE). Está aí a comprovação da falta de prioridade que é dada ao Plano Nacional de Educação pelo governo de Michel Temer.
Além disso, a Conferência Nacional de Educação (Conae) 2018, que tem por objetivo realizar tal avaliação intermediária do PNE, foi desagendada (Decreto de 26 de abril de 2017); e o Fórum Nacional de Educação, que tem por função coordenar as conferências nacionais de Educação e promover a articulação das Conaes com as conferências estaduais e municipais que as precederem, passa por um desmonte (Portaria n° 577, de 27 de abril de 2017). Ambos são fundamentais para o monitoramento e avaliação do PNE.
Segundo, sendo prioridade, a educação não seria prejudicada pela área fazendária. Ainda no Governo Dilma Rousseff, os cortes orçamentários da política de austeridade fiscal de Joaquim Levy, melhor chamados de austericídio, praticamente inviabilizaram o início do cumprimento do Plano. Para dar certo, o PNE depende da participação financeira da União, que pouco colabora com o financiamento da educação – embora devesse participar, segundo determina o Art. 211 da Constituição Federal: cabe ao Governo Federal colaborar técnica e financeiramente com Estados e Municípios, além de manter estabelecimentos educacionais, especialmente Universidades.
Para piorar o quadro, muito mais grave do que o austericídio de Joaquim Levy, o Governo Temer editou e aprovou a Emenda à Constituição 95/2016 que praticamente enterra as chances de cumprimento do PNE 2014-2024 e do plano sequente, o PNE 2025-2035, pois colocou as políticas sociais, em especial a educação e a saúde, sob um draconiano teto dos gastos públicos federais, determinando que, de 2018 a 2036, nenhum centavo novo poderá ser investido em educação, com exceção do investimento da União no Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).
O flagrante descumprimento do PNE retarda ainda mais a possibilidade de o Brasil cumprir sua obrigação: garantir o direito à educação pública de qualidade para todas e todos. Diante da política econômica em vigor, representada pela EC 95/2016, e a desconsideração do Plano por parte do Governo Temer, é preciso reiterar a centralidade do PNE e incidir, pragmaticamente, por um novo Fundeb – que embora não resolva todas as questões, pode ser um motor para o cumprimento parcial do PNE em matéria de educação básica.

(Daniel Cara é cientista político, coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação e doutorando em educação (USP). Andressa Pellanda é cientista política e assessora da Campanha Nacional pelo Direito à Educação.)