"Bom mesmo é ir a luta com determinação, abraçar a vida com paixão, perder com classe e vencer com ousadia. Pois o triunfo pertence a quem se atreve... a vida é 'muito', para ser insignificante". Charles Chaplin.



terça-feira, 4 de abril de 2017

CNTE participa de reunião da Frente Parlamentar em Defesa dos Trabalhadores

Na manhã desta terça-feira (4), Edmilson Ramos, da direção executiva da CNTE, e a secretária de Aposentados e Assuntos Previdenciários da CNTE, Selene Selene Barboza Michielin, participaram de mais uma reunião da Frente Parlamentar em Defesa dos Trabalhadores, coordenada pelo Senador Paulo Paim e pelo deputado Vicentinho.
Em especial, foram abordados assuntos como as reformas Trabalhista e da Previdência, a Terceirização e como o negro é vítima desse processo.
Também estiveram presentes o Frei David e um grupo de representantes do EDUCAFRO. Contribuíram na discussão Pedro Ermengol, da CUT, e representantes dos aeroviários e auditores fiscais, entre outras categorias.
A reunião ocorre todas as terças-feiras na Câmara dos Deputados.

CUT: Greve Geral já tem data! 28 de abril: Vamos parar o Brasil!

A Direção Nacional, reunida em Brasília, no dia 29 de março, deliberou pela organização da greve geral como ação estratégica da CUT para derrotar a reforma da previdência, a reforma trabalhista e a terceirização propostas pelo governo ilegítimo de Michel Temer. Trata-se de uma iniciativa construída com o conjunto das centrais sindicais.
Vamos parar o País, no dia 28 de abril, mandando mais uma vez nosso recado para a quadrilha que tomou o poder através do golpe e para sua base de parlamentares corruptos no Congresso: NENHUM DIREITO A MENOS! A greve geral será um passo decisivo na luta que continuaremos a travar, sem trégua,para derrotar o governo golpista.
Transformaremos abril num mês de lutas. Sairemos às ruas, como fizemos nos dias 8 e 15 de março, para denunciar e repudiar a reforma da Previdência, que pretende acabar com a previdência pública no Brasil. Sairemos novamente às ruas para denunciar e repudiar a reforma Trabalhista, que rasga a CLT e gera o trabalho precário. Iremos para às ruas para repudiar o PL 4302, recentemente aprovado na Câmara dos Deputados numa manobra espúria do presidente da casa, Rodrigo Maia, que fragiliza a organização sindical e permite a terceirização na atividade fim, condenando os/as trabalhadores/as a “viverem de bico”, sem nenhuma segurança em relação ao trabalho e a direitos básicos, como férias, décimo terceiro, jornada de trabalho, descanso remunerado, horas extras, entre outros direitos fundamentais, conquistados após décadas de lutas.
Essa deliberação foi tomada após uma cuidadosa análise de conjuntura.
Passamos por uma profunda recessão econômica, que atinge todos os setores da economia e que se aprofunda por causa da desastrada política de austeridade do atual governo. Em vez da prometida retomada do crescimento, assistimos à pior recessão da história e à projeção de um crescimento medíocre para os próximos anos, transformando o período 2011-2020 em mais uma década perdida.
As principais vítimas desse processo são os/as trabalhadores/as penalizados/as com o desemprego, que atinge a assombrosa marca de cerca de 13 milhões de pessoas, ou que veem diminuir sua renda, vivendo na incerteza em relação ao trabalho e à proteção social.
A Direção Nacional da CUT também constatou o agravamento da crise institucional e política que abala o País, como revelam as tensões entre membros do STF e o Ministério Público, assim com as rusgas do Judiciário com o Congresso, onde grande parte dos parlamentares encontra-se na lista das delações premiadas como suspeitos de corrupção. São esses parlamentares que buscam desesperadamente e sem qualquer pudor uma saída legal para o mal feito, legislando em interesse próprio, empenhados na aprovação de uma lei que acoberte seus crimes e os isente da punição.
O governo ilegítimo também foi atingido no seu núcleo de poder com denúncias de corrupção. Nos primeiros seis meses do atual governo, seis Ministros caíram e outros cinco encontram-se sob suspeita. O próprio Presidente corre o risco de ser cassado pelo TSE.
No meio da crise, no entanto, o governo ilegítimo mostra a que veio ao ser conduzido ao poder através do golpe. Veio para rasgar a Constituição e destruir pilares do Estado de Direito, enquanto promove o desmonte das políticas de proteção social, a privatização de estatais e bancos públicos, a entrega da exploração de nossas riquezas naturais a empresas estrangeiras, comprometendo a soberania nacional. Veio também para retirar direitos da classe trabalhadora.
Temos motivos de sobra para repudiar o governo ilegítimo e para conclamar a classe trabalhadora para a greve geral no dia 28 de abril.

NÃO À TERCEIRIZAÇÃO

NÃO À REFORMA TRABALHISTA

NÃO À REFORMA DA PREVIDÊNCIA

NENHUM DIREITO A MENOS!

FORA TEMER!

DIREÇÃO NACIONAL DA CUT

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Paulo Paim: reforma previdenciária é injusta, inconsequente e criminosa

(Texto: Alexandre Back - Foto: Eduardo G. de Oliveira/Agência AL)

Em visita à Assembleia Legislativa na manhã desta segunda-feira (3) para debater as reformas da Previdência Social e trabalhista, o senador Paulo Paim (PT-RS) não poupou palavras ao comentar as duas iniciativas, atualmente em análise no Congresso Nacional. Para ele, as propostas não levam em conta a realidade social do país e, pelas suas complexidades, não deveriam ter sido promovidas por um governo de caráter provisório, como o de Michel Temer.
Em uma breve entrevista coletiva dada à imprensa momentos antes do início de uma audiência pública, ele afirmou que, ao estabelecer a idade mínima de 65 anos para a obtenção da aposentadoria com 49 anos de contribuição para ter direito ao benefício de forma integral, o governo não leva em consideração fatores como o nível médio de desemprego no país ou as dificuldades de acesso ao mercado de trabalho. “É sabido que a grande maioria de pessoas não consegue se manter empregada e contribuindo de forma contínua ao longo de sua vidas profissionais. E se estudarem, se forem se capacitar um pouco mais e demorarem a entrar no mercado de trabalho, só vão conseguir se aposentar após os 80 anos de idade.”
Além disso, afirmou o senador, o texto, que tramita sob a forma da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/2016, também falha ao incluir segmentos como policiais, mulheres e trabalhadores rurais, cujas excepcionalidades no acesso à Previdência Social foram garantidas pela Constituição de 1998 em função da periculosidade ou intensidade das jornadas de trabalho. “Por tudo isso, esta é uma proposta irresponsável, inconsequente e criminosa, que prejudica os mais vulneráveis”, disse.
Revogação da Lei Áurea
Paim também se posicionou de forma contrária às mudanças na área trabalhista, propostas pelo governo por meio do Projeto de Lei (PL) 6.787/2016.
Caso seja aprovado, disse, o texto mexerá em direitos como décimo terceiro salário, férias, FGTS e licenças maternidade e paternidade. “Tudo isso será coisa do passado. Além disso, o salário vai ser pago por hora trabalhada, você não vai ter direito a nada, preste atenção no que eu estou dizendo. Por isso dizemos que esta também é uma reforma bandida, pois praticamente revoga a Lei Áurea.”
Outro ponto do projeto criticado pelo parlamentar é a prevalência do negociado sobre o legislado, ou seja, de que as convenções e os acordos coletivos acertados entre patrões e empregados passem a prevalecer sobre a legislação trabalhista. “Temos hoje 40 milhões de pessoas com Carteira [de Trabalho] assinada no país. Vejam, essa é a dimensão dos que devem ser afetados por esta medida.”
Paim também questionou a credibilidade de Michel Temer em propor alterações tão profundas durante o seu mandato. “Este é um governo provisório, que está atuando de forma transitória e não tem credibilidade junto ao povo para promover temas desta complexidade, que são verdadeiros crimes de Lesa Pátria. Mas ainda há tempo e ele pode recuar.”
Independentemente da possibilidade de Temer voltar atrás, Paim disse acreditar que os projetos não passarão pelo Congresso Nacional pela impopularidade entre os parlamentares. “Há divergências entre praticamente todas as bancadas partidárias e algumas siglas como o PT, PSB, PSOL, PDT e PCdoB já fecharam questão contra as reformas”.

Medo, Resistência e Covardia

(Texto: Elivane Secchi – Coordenadora Regional do SINTE de Palmitos e Secretária de Políticas Sociais da CUT-SC)

Hoje, quero falar sobre três palavrinhas que muito significam nas decisões e deliberações de qualquer coletivo. Iniciemos por conceituar cada uma delas. Os conceitos foram retirados aleatoriamente de sites da internet.
Conceito de medo: Medo é um estado emocional que surge em resposta a consciência perante uma situação de eventual perigo. A ideia de que algo ou alguma coisa possa ameaçar a segurança ou a vida de alguém, faz com que o cérebro ative, involuntariamente, uma série de compostos químicos que provocam reações que caracterizam o medo. (dicionário informal)
Conceito de resistência: Movimento de resistência é o conjunto de iniciativas levado a cabo por um grupo de pessoas que defendem uma causa normalmente política, na luta contra um invasor em um país ocupado. O termo pode também se referir a qualquer esforço organizado por defensores de um ideal comum contra uma autoridade constituída, governo ou administração estabelecida ou imposta. O oposto da resistência, isto é, a colaboração com o invasor (opressor), é chamado de colaboracionismo. (fonte Wikipédia) (grifo nosso)
Conceito de covardia: É o oposto de bravura e coragem. É algo que te remete a não tentar, a não buscar, a não lutar por medo, por indecisão, por fraqueza. É deixar de fazer algo, é desistir no meio do caminho, é abandonar uma luta pela metade pela falta de confiança em si próprio. É se conformar com o que não tem, mas poderia ter. É desistir de lutar por medo de perder, mas se não lutares nunca saberás se terias a força pra vencer.
 Com cada palavra devidamente conceituada podemos dialogar:
Vivemos hoje, um momento único, cada momento é único em si só, não quero dizer com isso que já não tivemos momentos muito semelhantes, sim, já tivemos. Porém este é o hoje e é hoje que temos que decidir o que vamos fazer, o que vamos dizer, o que vamos assumir e o que vamos aceitar, calar ou consentir.
Vivemos num período político muito delicado em que cada momento estamos correndo o risco de sermos lesados nos nossos direitos. Então o que podemos fazer?
Se a gente se rebelar, seremos massacrados, pressionados, ameaçados, humilhados pelos nossos superiores. Prejudicados naquilo que mais nos atinge, na ameaça de corte de salários (precisamos dele para nossa subsistência e de nossas famílias) que apesar de serem demasiadamente inferiores ao que deveria ser é deles que sobrevivemos.
Esse é o medo falando ao nosso ouvido, o medo de perder o pouco que se tem, o medo de resistir, o medo de soltar o grito preso na garganta e dizer chega! Esse medo na grande maioria das vezes nos torna covardes, sim, covardes (sem intenção de ofender), covardes por que o medo se torna maior que os sonhos, o medo se torna maior que as necessidades, o medo se torna maior que as humilhações que sofremos no dia-a-dia. Sim, nos tornamos covarde por medo.
Estamos assistindo nossos direitos serem retirados “à mão grande” e eu sei que isso não é colaboracionismo, que não é consentimento com a opressão, isto se chama medo, se chama covardia.
Vamos fazer uma analogia: Uma casa onde há gatos torna-se perigosa para os pequenos pássaros que costumam buscar alimentos nos arredores da residência, no pátio, na grama enfim onde possa ter um farelo de alimento, uma semente que cai de uma árvore, “estou usando este exemplo por que por muitas vezes, presenciei pássaros sendo capturados pelo gato que tenho em casa”, mas os pássaros continuam pousando por aqui em busca de seu alimento. Isso não é burrice, isto é resistência, é coragem de ir buscar aquilo que se precisa, mesmo sabendo que há riscos constantes.
Não quero com isso dizer que temos que nos colocar na linha de tiro, estou querendo dizer que não podemos nos acovardar sem tentar.
Vamos aos fatos reais: Foi aprovada a PEC 241 ou 55 que se tornou Emenda Constitucional n. 95 de 15/12/2016. Essa emenda congela por 20 anos os investimentos na educação, saúde, assistência social. VINTE anos é uma vida, quantas pessoas serão prejudicadas por esta lei. 
Veio também Reforma do Ensino Médio (sabemos que havia necessidade de uma reforma), mas sem nenhuma discussão com quem faz educação, com a sociedade. Deputados definindo qual grade curricular é mais importante para o aluno estudar, sugerindo que o aluno vá trabalhar a partir de 16 anos, o filho do pobre, é claro, pois o filho do rico vai só estudar e de preferência em escola particular que não adere a reforma. Por que será que nosso aluno (pobre) deve ser formado para trabalhar aos 16 anos? Simples, para formar mão de obra barata. Este estudante/trabalhador terá que optar por estudar ou trabalhar, pois será muito restrito o ingresso nas faculdades. E o que será que ele ou seus pais vão escolher? O trabalho é claro. Vai trabalhar aos 16 para chegar aos 65 anos e se aposentar com um salário integral. Parece-me que viveremos um período análogo ao da escravidão. Ainda falando em Reformas Educacionais existe o Projeto Escola sem Partido que impede discussões políticas nas escolas tornando assim nossos estudantes alienados em relação aos acontecimentos políticos tornando-os presas ainda mais fáceis para mão de obra barata.
Ainda tramita no Congresso Nacional reforma trabalhista que em um de seus pontos defende o negociado sobre o legislado, não será a lei que vai definir os direitos dos trabalhadores e sim a negociação entre patrões e empregados. Então eu pergunto entre perder o emprego ou dividir seu 13º salário em 12 vezes, o que você escolheria? Entre trocar as horas extras trabalhadas, pagas em dinheiro conforme hoje prevê a lei, por folgas ou brindes e perder o emprego, o que você escolheria? Infelizmente a grande maioria cederá para não ficar desempregado. A terceirização que faz parte da reforma trabalhista já foi aprovada e sancionada. Isso sem os parlamentares levarem em conta que os serviços terceirizados são os que pagam os menores salários, os que tem maior número de demissão e de acidentes de trabalho. Há quem acredita que seja inconstitucional pois  o projeto, existente desde 1998, havia sido arquivado pela presidência da república, se não me falha a memória em 2002. Quando um projeto é arquivado por ordem da presidência da República não pode voltar a ser votado. Mas foi... e aprovado.... e sancionado.
E a Reforma da Previdência que está aí causando tanto barulho, isso é um ponto positivo, seria muito pior se todos estivessem calados. Bem esta reforma começa por aumentar para 65 anos a idade mínima para que todo e qualquer trabalhador tenha direito a se aposentar e pior, o tempo mínimo de contribuição que hoje é de 15 anos passará a 25 anos. Mas então se eu tiver 65 anos e 25 de trabalho me aposento? Sim, com 76% dos proventos. Isto porque tendo 25 anos de contribuição e idade de 65 vai somar apenas 51% do necessário e vai aumentar 1% a cada ano a mais trabalhado, ou seja, para ter os 100% terá que trabalhar 49 anos, isso em tese, pois a grande maioria das pessoas terá que trabalhar muito mais, pois não poderá ter nenhum período sem contribuição durante este tempo. Ou seja, para melhor entender, o trabalhador deverá iniciar sua contribuição aos 16 anos para chegar aos 65 com direito a aposentadoria integral. A Reforma ainda prevê o fim das aposentadorias especiais que vou citar aqui apenas dois exemplos que é o dos professores/as e dos agricultores/as. Duas categorias que começam trabalhar muito cedo e com muitas horas de jornada de trabalho e quando chegam aos 50, 55 anos já estão com inúmeros problemas de saúde e que não vão resistir se tiverem que trabalhar até 70 ou 72 anos. Isto não pode ser chamado de Reforma tendo em vista que reformas servem para melhorar e não para piorar a vida do trabalhador.
Eu poderia continuar escrevendo muito mais sobre estas reformas e outras que prejudicarão em muito a vida dos trabalhadores e trabalhadoras deste país, mas vou parar por aqui já trouxe subsídios suficientes para quem quer se indignar, se rebelar e resistir.
Então trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade, colegas professores, não deixemos que o medo e a covardia nos impeça de lutar para que todas estas retiradas de diretos de fato se concretizem. Vamos resistir, vamos nos unir em torno de um único objetivo, manter nossos direitos conquistados, não vamos nem falar em ampliar direitos, hoje a nossa luta é para manter aqueles conquistados com muita bravura de trabalhadores e trabalhadoras que enfrentaram seus algozes, venceram o medo, a covardia e resistiram.
Vamos nos mobilizar, para, juntos, impedirmos o desmonte total dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil!

DIA 28 DE ABRIL: GREVE GERAL – VAMOS PARAR O BRASIL!

Participantes de audiência pública rechaçam reformas da previdência e trabalhista

(Texto: Ludmilla Gadotti/Agência AL)

Representantes de entidades sindicais e da sociedade civil organizada criticaram, em audiência pública realizada na manhã desta segunda-feira (3), no Plenário da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, as propostas de reforma previdenciária (PEC 287/2016) e trabalhista (PL 4308/1998) que tramitam no Congresso Nacional.
O evento que lotou as galerias do Plenário Deputado Osni Régis e o Hall do Palácio Barriga Verde foi promovido pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado em conjunto com as Comissões de Constituição e Justiça; de Trabalho; e de Saúde da Alesc.
Segundo os participantes da audiência pública, as matérias representam o desmonte da previdência pública e a retirada de direitos garantidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Reformas
A proposta de emenda à Constituição Federal que altera as regras para aposentadoria dos trabalhadores brasileiros define, entre outras mudanças, idade mínima de 65 anos, tanto de homens quanto de mulheres. Além disso, fixa em 49 anos o tempo mínimo de contribuição para que o trabalhador receba o benefício integral.
A reforma trabalhista também entrou na pauta de discussão. A mudança proposta pelo governo federal prevê que aquilo que for negociado pelos trabalhadores com as empresas prevaleça sobre a legislação. Outras alterações envolvem intervalo entre jornadas, parcelamento de férias, a ampliação do contrato de trabalho temporário de 90 para 120 dias e do regime parcial de trabalho de 25 para até 30 horas.
O debate sobre as reformas previdenciária e trabalhista foi coordenado pelo senador Paulo Paim (PT/RS), vice-presidente da CDH. Na avaliação do parlamentar, que tem percorrido o Brasil para debater o assunto, a população é contrária às reformas. “É um ato cruel, criminoso, um total desrespeito ao povo brasileiro. Mas o povo não é bobo, não aceita essas propostas. Há mobilizações acontecendo por todo o país. As bancadas estão divididas. Essa reforma tem tudo para não passar”, disse.
Recentemente, Paim solicitou a criação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) no Senado para investigar as contas da Previdência Social. O objetivo é mostrar que o Sistema de Seguridade Social é superavitário.
28 de abril: dia de paralisação
As lideranças sindicais e representantes de entidades da sociedade civil que se manifestaram na tribuna da Alesc reforçaram o apoio à paralisação geral prevista para o dia 28 de abril em protesto contra a reforma da Previdência, mudanças na legislação trabalhista e a Lei da Terceirização.
A presidente estadual da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Anna Julia Rodrigues, ressaltou que as mudanças propostas para a Previdência Social vão dificultar o acesso da população ao benefício da aposentadoria. “É uma reforma que vem retirar os direitos dos trabalhadores. A grande maioria não vai se aposentar se essa reforma passar desse jeito. Não existe condições para que o trabalhador contribua por 49 anos ininterruptamente até os 65 anos de idade, levando em consideração a expectativa de vida do brasileiro. Muitos trabalhadores vão morrer sem conseguir se aposentar”, falou. “Precisamos alertar a sociedade. Não dá para aceitar essa reforma. Vamos lutar contra essa proposta.”
Apoio parlamentar
A audiência pública contou com a presença dos deputados federais Pedro Uczai e Décio Lima, dos deputados estaduais Ana Paula Lima, Luciane Carminatti, Dirceu Dresch, Neodi Saretta e Padre Pedro Baldissera, todos do PT.
Durante o evento, foi lançada a Frente Parlamentar da Previdência Pública e Justa, criada na semana passada pela Alesc. O grupo será coordenado pelo deputado Dirceu Dresch. “Não vamos votar aqui essas propostas, mas podemos ajudar a discutir o assunto com a sociedade. É nosso compromisso alertar, debater e ajudar a definir o futuro da previdência no país. Vamos contribuir nesse grande movimento para derrotar essa barbaridade”.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Terceirização: Michel Temer pensa que pode jogar no lixo o futuro da classe trabalhadora e do País

Em nota, Vagner Freitas, aponta que governo ilegítimo coloca em xeque futuro do país ao sancionar terceirização sem limites e convoca trabalhadores a responder com a Greve Geral no dia 28 de abril

(Texto: Vagner Freitas, Presidente Nacional da CUT)

Na noite de sexta (31/03), o golpista Michel Temer sancionou o PL 4302/98, legalizando o uso generalizado e irrestrito da terceirização e ampliando o trabalho temporário.O projeto amplia de forma ilimitada as possibilidades de precarização do trabalho no país, permitindo que os empresários façam uso da terceirização sem limites e sem nenhuma proteção para os trabalhadores.
Ele amplia o prazo e as possibilidades de utilização do trabalho temporário. Agora como lei, será o instrumento que faltava para o setor patronal reduzir significativamente o custo do trabalho e aumentar suas margens de lucro à custa de mais exploração e mais sangue da classe trabalhadora.
Na prática, trata-se de uma legislação que, no curto e médio prazo, promoverá substituição massiva dos postos de trabalho por prazo indeterminado, com todos os benefícios previstos em lei e com avanços conquistados através da organização sindical dos trabalhadores e da negociação coletiva, por postos precários, com jornada ampliada, salário e benefícios reduzidos, com alta rotatividade e insegurança permanente.
A maioria dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros viverá oprimida pela instabilidade, pela incerteza e mais expostos ao adoecimento . O resultado será a precarização generalizada das condições de trabalho, um processo de empobrecimento acelerado da classe trabalhadora, o aprofundamento da recessão econômica e o avanço da crise social no Brasil.
Ao sancionar este projeto monstruoso, ignorando a voz do povo nas ruas e dos diversos setores organizados da sociedade, Temer deixou cair definitivamente a sua máscara e o objetivo final do golpe: ampliar a desigualdade social e transferir toda a riqueza do país para as mãos de um pequeno grupo de vampiros.
O Brasil está nas mãos de um vassalo a serviço da elite econômica.
Entretanto, o ilegítimo Michel Temer está muito enganado quando pensa que pode jogar no lixo o futuro da classe trabalhadora e do país. Ele, na verdade, só está jogando o Brasil numa profunda instabilidade jurídica, pois os trabalhadores e trabalhadoras não aceitarão jamais esse roubo de direitos e vão lutar sem temor até derrubar essa lei espúria. A CUT conclama todos os brasileiros e brasileiras, do campo e da cidade, do setor privado e do setor público a construir a Greve Geral do dia 28: em Abril vamos parar o Brasil!

sábado, 1 de abril de 2017

Um Reino tão, tão perto!

Elivane Secchi – Coordenadora Regional do SINTE de Palmitos e Secretária de Políticas Sociais da CUT-SC

Era uma vez um Reino chamado Tão, Tão Perto. Neste Reino viviam muitas pessoas; pessoas que trabalhavam muito. Claro que algumas trabalhavam pelo bem comum, outras trabalhavam só em benefício próprio. 
Neste Reino aconteciam muitas coisas boas, havia uma belíssima festa chamada carnaval, onde todos os que gostavam da folia podiam participar. Ali não havia distinção de raça, cor, gênero, classe social, opção política, religiosa ou sexual. Todos se divertiam livremente.
Havia também outra paixão: o futebol. Era cultural no Reino, o esporte, e todos amavam o futebol. Claro, havia desavenças, quando times rivais se confrontavam, muitas vezes a violência chegava a ser tanta que até aconteciam mortes. Uma única seleção unia a todos, numa mesma paixão, numa mesma batida de coração. Mas, neste Reino, no dia a dia, na sociedade, havia muitos problemas, diferenças de todos os tipos, preconceitos, desigualdade social, má distribuição de renda, violência, desvalorização da educação e do profissional, poucos ricos e muitos pobres. 
Até que um dia por um GOLPE, apoiado pela grande mídia, por parte do Judiciário e por um Congresso que não representava o povo como deveria, um tirano assume o Reinado e começa a retirar, um a um, com muita habilidade e rapidez, direitos fundamentais dos trabalhadores, direitos estes conquistados com muita união, com muita força, muito sangue de homens e mulheres tombados na luta no decorrer da história. Então, trabalhadoras e trabalhadores do Reino inconformados/as e indignados/as com tamanha leviandade e descaso do Rei saíram às ruas chamando todas as pessoas que ali viviam para se mobilizarem e impedirem que o pior acontecesse. Os protestos foram organizados em Atos por todo o Reino. Foi lindo! Nos dias de Ato milhões de trabalhadores saíram às ruas empunhando suas bandeiras (geralmente de cor vermelha – que é símbolo de luta), cantando e proferindo gritos de ordem, como: Nenhum direito a menos! Abaixo a PEC da Morte! Não à Terceirização da mão de obra! Não à Reforma do Ensino Médio (sem discussão nenhuma com a sociedade)! Não à Escola Sem Partido! Não à Reforma da Previdência, que faz o trabalhador e a trabalhadora trabalharem até a morte! Enfim, o povo do Reino Tão, Tão Perto tinha muitos motivos para saírem às ruas e protestar. E essas reformas eram assunto de toda a sociedade - nas padarias, nos supermercados, nos pontos de ônibus, nos pontos de táxi, nas portas das fábricas, nas praças, nas casas das pessoas, até entre os adolescentes.
Porém, como toda a história tem um porém, em muitos locais de trabalho não se falava nisso, e os que tentavam chamar seus colegas para que fossem à luta não eram ouvidos, eram ignorados ou simplesmente lhes viravam às costas. Sabem que lugar era esse caros leitores? Peço licença para abrir parênteses (não dá para generalizar, mas garanto são muitos) - fecha parênteses, e continuamos. Vou refazer a pergunta: Sabem que lugar era esse? Pasmem, esse lugar era a escola! Vocês me perguntariam: A escola? Mas não é a escola que tem a obrigação de abrir os olhos da sociedade? Não é a escola que tem a obrigação de formar cidadãos e cidadãs críticos/as? Não é a escola que deveria estar à frente das grandes mobilizações para chamar o povo às ruas? Sim, eu particularmente concordo com vocês, leitores. Mas, como já frisei, sem generalizar, muitos professores das escolas do Reino se furtaram em ir à luta, aliás, se furtaram até mesmo de saber de fato sobre os acontecimentos. Os que tentavam esclarecer o que vinha acontecendo não eram bem-vindos às conversas de grupos de professores. Alguns, inclusive, que lutaram uma vida inteira, em nome de uma categoria, foram desrespeitados pelos seus colegas “superiores” no final de sua carreira, com alegações do tipo: “Você tem argumentos, e não há como discutir com quem tem argumentos, mas seu tom de voz faz com que você perca o respeito”. Isso era ingratidão, desrespeito a quem passou uma vida inteira dedicada ao bem comum. Mas é caso para outra história.
Pois bem, continuando, quando as escolas eram visitadas por seus representantes, aqueles que enfrentavam os governos, sem medo de desconto, faltas ou repressão, (isso quando não eram impedidos de adentrar a sala dos professores) para falar sobre direitos da categoria, direitos dos trabalhadores, ou ouviam dos colegas um profundo silêncio que chegava doer os ouvidos e a alma, ou ouviam críticas sobre a entidade sindical que sempre defendeu a categoria, ou, algumas vezes, tinham perguntas que interessavam somente a um único indivíduo, longe do coletivo. Mas quando vinha a pergunta: E então colegas: Vamos à luta? Vamos às ruas? Vamos paralisar nossos trabalhos? Neste momento, o silêncio gritava ainda mais alto, e vinha acompanhado de expressões faciais que podiam ser lidas como: “Vão vocês, bando de desocupados”! “Voltem ao Sindicato (Sindicato???? quem seria este personagem???)! Já perdemos muito, agora chega”!… E os representantes da classe trabalhadora da educação saíam das escolas com aperto no peito e nó na garganta, esbravejavam internamente, ou com alguém que estivesse acompanhando. Mas, quando chegavam do lado de fora, olhavam para o sol, respiravam, e diziam: “Vamos em frente! A luta não pode parar!...
Mas esses dirigentes tinham também outras decepções, ouviam nas salas de professores das escolas em que atuavam, discussões como: “De onde saiu a ordem de que o professor precisa fechar as janelas da sala de aula, quando sua aula acabar, ou no final do turno?” Caro leitor, o Reino pegando fogo, e a discussão se resumia em quem devia fechar ou não fechar, uma janela!!
Outro caso, alunos de determinada escola ouviam em casa, na rua, nas conversas com amigos, no facebook, sobre os acontecimentos, e decidiram entrar na luta contra isso, resolveram ir às ruas, informar a população sobre as inúmeras injustiças que estavam sendo feitas, levaram a ideia à escola, solicitaram materiais explicativos e.... nenhum professor assumiu a responsabilidade de orientá-los, acompanhá-los, incentivá-los (…).
Só mais um caso para completar esta historinha, que, rapidamente me dei ao trabalho de escrever, mesmo sabendo que muitos não lerão, afinal, passa de duas páginas:
O Rei do Estado, não o Rei maior da Nação, instituiu o “Dia da Família na Escola”. Preciso, mais uma vez, abrir parênteses (que bela iniciativa senhor Rei, família na escola sempre é importante). Opa, você, leitor/a, deve estar imaginando: Claro, aproveitaram este momento efervescente para discutir com a população, explicar aos que ainda não estavam por dentro sobre o que vinha acontecendo, criar junto com a comunidade escolar uma frente contra a retirada de direitos, organizar junto com a comunidade uma paralisação marcada, na época, para o dia 28 de abril daquele ano, momento que todo o Reino deveria parar... Aí, você me pergunta: Foi isso que aconteceu, não foi???
Caro leitor, talvez, em algumas poucas unidades escolares este assunto tenha sido abordado, mas nem de longe este assunto pairou entre as unidades escolares como prioridade, como necessidade daquele momento. Infelizmente, outros foram os assuntos tratados na maioria das escolas, todos pertinentes, com certeza, mas nenhum que encorajasse a sociedade a ir à luta. 
E assim seguiu o povo do Reino Tão, Tão Perto… Para onde?… Ninguém sabe. A história (ainda) não acabou. Todos continuamos protagonistas. Sujeitos de mudança, ou de acomodação, sem direito a reclamar depois.