"Bom mesmo é ir a luta com determinação, abraçar a vida com paixão, perder com classe e vencer com ousadia. Pois o triunfo pertence a quem se atreve... a vida é 'muito', para ser insignificante". Charles Chaplin.



terça-feira, 7 de abril de 2015

Professores ocupam a ALESC pela retirada da MP198 e deputado exige que Deschamps se desculpe com a categoria

As lideranças do SINTE/SC, através do Comando de Greve, decidiram ocupar a Assembleia Legislativa, até amanhã, 08/04. No momento, cerca de 150 professores/as estão na Casa, mas 60 deverão pernoitar. A ação faz parte das mobilizações pela retirada da MP198, que ainda pode ser votada.
Os trabalhadores acompanharam a sessão de hoje, e, mais uma vez, lotaram galerias, hall e demais dependências da Assembleia. No plenário, a manifestação do deputado Rodrigo Minotto, que, inclusive, reproduziu o vídeo o qual o secretário Deschamps ameaça os trabalhadores/as. Foi um momento de protestos e pedidos de “Fora Deschamps”, por parte dos professores.
Na fala, o parlamentar destaca o discurso opressor e autoritário do secretário de Educação, e afirma que ele não está habilitado para a função, visto a gravidade de suas declarações. Ele exige ainda que Deschamps peça desculpas públicas ao magistério, ou entregue o cargo. A deputada Luciane Carminatti também usou seu espaço, para defender os professores, e repudiou a postura do secretário com a classe, bem como o deputado Dirceu Dresch.

Escute aqui as falas de Minotto e Luciane Carminatti:

PMDB fecha questão contra e futuro da MP 198 pode ser decidido nesta semana

Texto: Vitor Santos/Agência AL

A Bancada do PMDB na Assembleia anunciou que fechou questão contra a admissibilidade da Medida Provisória nº 198, que fixa a remuneração dos professores temporários (ACTs). “O PMDB fechou questão, vai votar pela ilegalidade”, anunciou Fernando Coruja (PMDB) durante a sessão ordinária desta terça-feira (7). Além disso, Silvio Dreveck (PP), líder do governo, comunicou que “essa MP poderá ser tirada no dia de amanhã (8)”.
Como a Medida Provisória produz efeitos de lei, tecnicamente ela não pode ser retirada de pauta, mas revogada por outra MP ou votada em plenário. “Vou a Brasília ainda hoje, mas não iria viajar se a MP fosse votada amanhã, ela será novamente reestudada”, declarou Leonel Pavan (PSDB).
Luciane Carminatti (PT) voltou a criticar o governo e foi direto ao ponto ao demonstrar que a intenção do Executivo ao editar a MP era economizar R$ 40 milhões. “Querem retirar R$ 40 milhões de quem ganha pouco”, lamentou a deputada, que pediu ao governador para não encaminhar ao Legislativo projeto de lei retirando direitos ou reduzindo valores da regência de classe.
Dirceu Dresch (PT) também alertou o governador Raimundo Colombo. “Que não venha a mesma coisa da MP em um projeto de lei, daí não vai ter acordo. Foi a MP que motivou a greve”, resumiu o parlamentar.

Eduardo Deschamps na berlinda
Os deputados também criticaram duramente o secretário de Estado da Educação, Eduardo Deschamps. Rodrigo Minotto (PDT) exibiu no plenário um vídeo no qual o secretário afirmou que “não admite sindicalista pelego gestor de escola” e que os professores em estágio probatório estão sujeitos à demissão se aderirem à greve. “Ele (professor em estágio) está se fragilizando, eu não quero demitir ninguém, mas a lei é clara”, falou o secretário.

Para Dresch, Deschamps perdeu as condições de negociar com os professores. “Ele se descredenciou”, avaliou o deputado. Segundo Minotto, o secretário, “ao invés de usar o diálogo para mediar os conflitos, abriu o verbo contra professores, ameaçando-os com represálias”. O deputado classificou as palavras de assédio moral e sugeriu um pedido de desculpas aos professores “como condição para Deschamps permanecer no cargo”.

SINTE ganha força extra com apoio de outros Sindicatos na luta pelo magistério

Representantes da Diretoria Executiva do Sindicato dos Trabalhadores em Educação na Rede Pública de Ensino do Estado de Santa Catarina (SINTE/SC) se encontraram com dezenas de professores e professoras, na manhã desta terça-feira (7), para um ato no hall de entrada da Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Além do magistério, a mobilização também teve o apoio de outros Sindicatos, que estão solidários à luta dos professores/as. Outras duas grandes mobilizações estão marcadas para hoje. A primeira, na Alesc, às 14 horas, para acompanhar a possível votação da MP 198, que altera a remuneração e a contratação dos ACTs, e a segunda em frente ao Ticen, às 17 horas, com a participação dos Sindicatos que estão unindo forças com o SINTE/SC.
De acordo com o Coordenador Geral do Sindicato dos Bancários de Florianópolis e Região (SEEB), Jacir Zimmer, o momento é de união de todos, para conseguir vitória para a classe trabalhadora. “A luta dos professores se iguala à luta dos demais trabalhadores. Vamos lutar juntos para conquistar a vitória”, afirmou.
Fábio Dhein, representante do MST, reforçou que a maior meta é unir forças, e também manifestou apoio ao SINTE, em nome do Movimento. “Precisamos estar unidos e ir para as ruas. O nosso Movimento se solidariza com o magistério. O primeiro desafio do MST foi alfabetizar os companheiros. A mudança na educação começa na valorização da profissão. Vamos lutar juntos, e conseguir vencer esta batalha pela educação”, disse.

Na mobilização de hoje, estiveram presentes, representantes da CUT, MST, Sintaema, Sinergia e SEEB, que também manifestaram apoio à greve.
 

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Nota de Repúdio sobre o Assédio Moral do Secretário Deschamps contra os/as trabalhadores/as via webconferência

A fala do secretário da Educação, aos/às diretores/as, através da webconferência, demonstra a forma como o governo Colombo orienta seus comandados a agirem, fatos o que o SINTE/SC já denunciava: a farsa da Gestão Democrática implementada pelo governo, via decreto.
Em seu discurso, o secretário afirma categoricamente que as direções são cargos de confiança do governador, ou seja, continuam sendo indicados pelos partidos da base aliada e o processo de eleição, que, aliás, não conseguiu atingir um número expressivo de escolas, é apenas uma forma criada para dar a ideia ilusória de Gestão Democrática, na mesma linha do pacote de ilusões do Plano de Carreira.
Outra coisa que chama a atenção é a forma arbitrária com que o secretário se dirige aos/às diretores, numa postura ditatorial e intransigente, comparável à postura dos regimes de exceção, que não compactuam com o atual regime democrático de direito, nem tampouco com a imagem de negociador, que ele tenta transmitir à população, em suas entrevistas. Ao que parece, a máscara caiu, e sua fala reflete o desespero de quem está sendo pressionado pelo governador, para que mantenha sua tropa de choque sob controle, incitando-a a aterrorizar os/as professores/as grevistas, para que estes/as desistam do movimento, pois sua cabeça está a prêmio.
A fala do secretário, afirmando que os diretores não podem ser “pelegos do Sindicato”, foi de alguém que não entende nada de sindicalismo, e de um primarismo absoluto. Lembramos ao secretário que, antes de qualquer coisa, os/as diretores/as são profissionais da educação, e a eles é garantido o direito à filiação sindical, e apoiar a greve, ou não, é seu direito legítimo.
Acusá-los de “pelegos do Sindicato” é um tanto estranho, pois “pelego” é aquele que ignora as reivindicações de sua base, para negociar com o patrão. Por isso, quem está levando os/as diretores/as a serem “pelegos” é o secretário, quando afirma que a negociação se dará, via webconferência, com os/as gestores, ignorando a Constituição, e passando por cima da categoria.
Sua maneira de agir demonstra a forma maniqueísta e despreparada, na condução de qualquer pleito dos/as trabalhadores da educação catarinense, pois o que ele tenta fazer é convencer o Sindicato a negociar, não o direito dos/as trabalhadores/as, mas, sim, aquilo que o governo quer. Por isso, o SINTE/SC repudia todo e qualquer ato de coerção, por parte do governo, que venha a atingir os direitos dos/as trabalhadores/as, pois este tipo de atitude se constitui em assédio moral, uma total falta de respeito à democracia. Este vídeo é apenas a ponta do iceberg do clima de terror instalado pelos diretores, orientados pela SED, dentro das escolas de todo o Estado de Santa Catarina.
Eis a fala do secretário:

SINTE protocola solicitação de audiência com o governador

Representantes da Executiva do SINTE/SC estiveram, na manhã de hoje, 06/04, no Centro Administrativo do Governo do Estado, para protocolar ofício, solicitando audiência, para negociar diretamente com o governador Raimundo Colombo. Tal decisão foi tomada pelo Comando de Greve, pois a entidade sempre esteve disposta a negociar.
De acordo com o Coordenador Estadual do Sindicato, Luiz Carlos Vieira, a intenção desse documento é estabelecer um canal efetivo de negociação, visto que o secretário Eduardo Deschamps já declarou, publicamente, de forma autoritária, que não negocia com os trabalhadores em greve.
No ofício, o Sindicato também pontua as reivindicações da categoria, e ressalta a necessidade da apresentação de propostas que possam levar a um resultado que contemple a garantia dos direitos do Magistério Catarinense, revendo, assim, a posição arbitrária de não negociar com a entidade.

Sobre a MP 198 e a reunião do Comando Estadual de Greve:

COMUNICADO

Os Professores Grevistas da Regional de Palmitos vêm, através deste, agradecer aos alunos, pais e comunidade em geral, pelo apoio prestado à GREVE dos Professores Estaduais. Greve esta deflagrada em Assembleia Estadual, que teve início no dia 24 de março de 2015. Nossa mobilização tem como pauta, a derrubada da Medida Provisória 198, a descompactação da tabela de cargos e salários dos professores efetivos, a revisão da Lei dos ACTs, pela não retirada de direitos, e, principalmente, por uma escola pública gratuita e de qualidade. Tendo em vista a importância da luta, e da intransigência do governo do Estado, comunicamos que a GREVE continua, por tempo indeterminado.
Atenciosamente,
Comando de Greve Regional


Palmitos 06 de abril de 2015